sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Os 15 minutos fatais de Passos Coelho
“The Economist” assinala os 15 minutos fatais de Passos Coelho
Paulo Alexandre Amaral, RTP 21 Set, 2012, 12:37 / atualizado em 21 Set, 2012, 13:26
“The Economist” assinala os 15 minutos fatais de Passos Coelho
Miguel A. Lopes, Lusa
Passos Coelho ultrapassou um limite para o qual não estava autorizado pelos portugueses e conseguiu em 15 minutos deitar fora dezasseis meses do trabalho de recuperação da economia do país. É esta a análise sumária feita pela revista The Economist ao momento político que se vem vivendo em Portugal desde que o primeiro-ministro anunciou, há duas semanas um novo pacote de medidas que transfere custos do trabalho dos patrões para os trabalhadores.
Passos Coelho "está a descobrir que a austeridade não pode ser levada além do limite determinado pelos eleitores, quer estejam em motins violentos em Atenas ou em marchas pacíficas em Lisboa". Assinala a revista britânica na edição desta sexta-feira que o exemplo de Portugal ilustra bem os perigos da correção excessiva, no caso, quando “o bom aluno da Europa” não percebe quando deve deixar de esticar a corda e leva demasiado longe a fórmula da austeridade.
O artigo faz notar que os portugueses vinham caucionando a estratégia de austeridade imposta desde a assinatura do memorando de entendimento com a troika internacional para um plano de recuperação que tem na sua base um empréstimo de 78 mil milhões de ajuda à recuperar a situação económica e financeira de Portugal. Um consenso ferido de morte pelo anúncio da transferência dos custos laborais das empresas para os trabalhadores através da redução da Taxa Social Única (TSU) dos patrões (em 5,75 pontos, para 18 por cento) e acréscimo do lado dos trabalhadores em sete pontos, para 18 por cento, na contribuição para a Segurança Social.
Passos Coelho "parece ter levado as reformas além do limite do que é considerado aceitável por larga parte do eleitorado", lê-se.
A "notável proeza" ... de unir todos contra si
No artigo "O ponto de viragem: Quanta austeridade é demasiada austeridade?", é concedido ao primeiro-ministro o facto de "nos 15 minutos que demorou para anunciar o seu esquema na televisão, no início do mês, conseguiu a notável proeza de unir não só os partidos da Oposição contra o seu plano 'intolerável', mas também os sindicatos, os patrões e os economistas".
Uma palavra é também dedicada ao PS, que já tem garantido o voto contra o Orçamento do Estado para 2013, com o secretário-geral António José Seguro a acenar ainda com uma moção de censura caso Passos não desista já das alterações à TSU, à qual têm sido atribuídos diferentes padrinhos desde o anúncio de 7 de setembro.
Desde o argumento de que constitui um sinal de força enviado aos mercados ir além do memorando, até à alegada exigência – entretanto desmentida – da missão da troika para desbloquear a quinta remessa de euros, várias são as desculpas a que os defensores da medida têm deitado mão – inclusive atirar culpas ao Tribunal Constitucional, por chumbar os cortes nos subsídios de funcionários públicos e pensionistas.
Mas o principal desconforto que enfrenta o executivo de Passos, considera The Economist, surge de dentro, de vultos que lhe são familiares na São Caetano à Lapa, com a discordância manifestada de forma aberta por “senadores” social-democratas e da direita em geral.
"Uma brecha potencialmente irreparável"
A terminar, é sugerido que - face às massivas manifestações do último fim-de-semana, que ecoam no coro de críticas transversais ao espectro político - deverá haver por parte de Passos Coelho uma mais do que provável alteração ao plano da TSU, se é que não vai "recuar completamente". Mas, sublinha a revista britânica, nada ficará como dantes no seio da coligação, onde 15 minutos de Passos na televisão antes de um jogo da seleção nacional abriram "uma brecha potencialmente irreparável".
Entretanto, a tarefa mais urgente do primeiro-ministro é para já a de poupar Portugal a uma crise política potencialmente destrutiva após as reuniões, primeiro do PSD (primeiro pilar parlamentar do Governo), depois do PSD com o CDS-PP (segundo pilar da coligação), e a que se segue hoje um Conselho de Estado para o qual o Presidente Cavaco Silva convocou inesperadamente a terceira figura do Executivo, o ministro das Finanças, Vítor Gaspar. Pelo meio, as vozes que dão como moribunda a coligação e, por conseguinte, o próprio Governo.
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